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Panorama da economia brasileira em agosto de 2026: juros em queda gradual, inflação ainda acima da meta e crescimento moderado

A economia brasileira vive um momento de transição cautelosa. O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14% ao ano na reunião de 5 de agosto de 2026 (corte de 0,25 ponto percentual, o quarto consecutivo), mas evitou dar sinais claros sobre os próximos passos. O mercado, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10), mantém a expectativa de que a Selic termine 2026 em 13,75%, ou seja, com mais um corte de 0,25 ponto até o fim do ano.

Inflação e expectativas

A previsão de inflação (IPCA) para 2026 caiu pela sexta semana seguida, para 5,02%. Apesar da melhora recente (o IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente com alta de apenas 0,06%), o índice continua acima do teto da meta de 4,5% (meta central de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual). As expectativas para 2027 permanecem em torno de 4,22%, ainda distantes do centro da meta.

O Copom tem enfatizado que o horizonte relevante de política monetária se estende até o início de 2028 e que o tamanho total do ciclo de cortes dependerá dos dados que vierem. A autoridade monetária reconhece desaceleração da inflação cheia e das medidas de núcleo, mas alerta para riscos de alta, especialmente ligados a choques externos (preços de petróleo e conflitos no Oriente Médio) e a estímulos domésticos de demanda.

Crescimento e atividade

A previsão de PIB para 2026 foi revisada levemente para baixo no Focus, para 1,98% (primeira queda desde abril). O Banco Central, em seu Relatório de Política Monetária de junho, projetava 2%. O crescimento do primeiro trimestre foi robusto (1,1% na margem e 1,8% na comparação interanual), puxado por serviços, agropecuária e indústria extrativa. Indicadores mais recentes, porém, apontam moderação, especialmente na indústria.

O mercado de trabalho continua resiliente, com desemprego em torno de 5,4% (junho), próximo das mínimas históricas. Isso sustenta o consumo das famílias, mas também torna a desinflação mais lenta.

Fiscal e cenário externo

O ambiente fiscal permanece desafiador. Estímulos de crédito e medidas de apoio à demanda, em ano eleitoral, elevam o risco de pressão inflacionária e limitam o espaço para cortes mais agressivos da Selic. A dívida pública e os déficits primários continuam no radar de investidores e de instituições como FMI e agências de rating.

Externamente, a volatilidade dos preços do petróleo, a política monetária dos Estados Unidos e possíveis tarifas comerciais influenciam o câmbio e as expectativas. O real tem se mantido relativamente estável em torno de R$ 5,08–5,20 por dólar nas projeções de mercado.

O que esperar

O consenso atual é de um ciclo de cortes gradual e data-dependente. A economia brasileira mostra resiliência, mas a combinação de juros reais ainda elevados, inflação acima da meta e incertezas fiscais e geopolíticas impõe cautela. Para investidores e empresas, o cenário favorável ao crédito deve se consolidar apenas de forma lenta ao longo de 2026 e 2027.

Acompanhe os próximos Boletins Focus, o IPCA e a próxima reunião do Copom para calibrar as expectativas.